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Empresa ligada a vereador preso usava mensagens para divulgar candidatura antes da eleição

Vereador Fábio Silva é preso no Paraná em operação contra monopólio de internet do Comando Vermelho O vereador Fábio Silva (Podemos), preso nesta segunda...

Empresa ligada a vereador preso usava mensagens para divulgar candidatura antes da eleição
Empresa ligada a vereador preso usava mensagens para divulgar candidatura antes da eleição (Foto: Reprodução)

Vereador Fábio Silva é preso no Paraná em operação contra monopólio de internet do Comando Vermelho O vereador Fábio Silva (Podemos), preso nesta segunda-feira (19) em uma operação da Polícia Federal (PF) contra o monopólio de internet imposto pelo Comando Vermelho (CV), é ligado à Nort Telecom, empresa investigada na operação que, durante a campanha eleitoral de 2024, enviou mensagens a clientes divulgando a candidatura dele. A empresa atua no Complexo do Chapadão, na Zona Norte do Rio. Fábio Silva foi preso em Londrina, no norte do Paraná, durante a Operação Backbone, que busca desarticular uma rede de provedores de internet que atua nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, áreas de domínio do Comando Vermelho (CV). 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Fábio foi localizado após publicar nas redes sociais informações sobre onde estava, durante uma viagem para um casamento. Uma das mensagens enviadas aos clientes da Nort Telecom em 2024 dizia: “A Nort Telecom apoia as iniciativas do pré-candidato a vereador Fábio Silva”. O texto também convidava os destinatários a seguir o candidato nas redes sociais. O sistema automático de atendimento da empresa também usava o nome e o número eleitoral do vereador. A mensagem dizia: “Olá. Seja vem vindo ao atendimento da Nort Telecom. Me chamo Fábio Silva 20669”. O número 20669 era o número de urna de Fábio Silva na eleição municipal de 2024. MP pede cassação do mandato do vereador Fábio Silva por abuso de poder econômico Reprodução TV Globo Suspeita de pressão sobre clientes Em 2024, uma denúncia encaminhada ao Ministério Público Eleitoral apontou que clientes da Nort Telecom eram ameaçados de suspensão do serviço de internet caso não votassem em Fábio Silva, mesmo quando estavam em dia com os pagamentos à empresa. O caso levou a uma investigação eleitoral por suspeita de abuso de poder econômico e político. O Ministério Público Eleitoral pediu a cassação do mandato do vereador, que já havia sido eleito. Fábio Silva chegou a ser multado em R$ 5 mil por propaganda eleitoral irregular. Na ação que pedia a cassação, porém, a Justiça Eleitoral absolveu o vereador. A denúncia também apontava que ações de revitalização de espaços públicos em comunidades eram realizadas com a cor verde, a mesma utilizada na campanha do parlamentar. Barricadas no Complexo do Chapadão foram pintadas de verde pela equipe do vereador Fábio Silva, segundo o MPE. Reprodução TV Globo Imagens apresentadas no processo mostravam paredes, escadas, bancos de praças e quadras esportivas pintados dessa cor. A denúncia também mencionava barricadas verdes na região. Uma testemunha ouvida pelo Ministério Público Eleitoral afirmou que o Comando Vermelho atuava no local e permitia que os espaços fossem pintados de verde. Contudo, outra testemunha — que era coordenador da campanha do vereador — disse que Fábio Silva não participava diretamente das intervenções urbanas e da limpeza das ruas, atribuindo as ações a um grupo de voluntários. Operação Backbone A Nort Telecom está entre as empresas investigadas no contexto da Operação Backbone, que busca desarticular uma rede de provedores de internet que atua nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão. Segundo a Polícia Federal, grupos criminosos impedem a atuação de operadoras concorrentes por meio de ações como cortes de cabos, incêndios em caixas de distribuição e obstrução de reparos. Com isso, moradores e comerciantes seriam forçados a contratar serviços de provedores autorizados pela facção. PF apreende joias e dinheiro na casa de beneficiário de uma das empresas provedoras de internet do CV Divulgação/PF A PF afirma que esses provedores pagam mensalmente uma tarifa ao grupo criminoso para ter autorização de operar nos territórios. A investigação também apura o uso de empresas para lavar dinheiro do Comando Vermelho. A operação prevê o cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão, além do bloqueio de bens e valores que podem chegar a R$ 558 milhões e da suspensão das atividades econômicas de empresas investigadas. Vereador nega ligação com práticas ilícitas Fábio Silva negou as acusações e afirmou que não tem qualquer ligação com práticas ilícitas. A defesa informou que vai se manifestar depois de ter acesso aos autos. O vereador foi levado para o Centro Integrado de Triagem de Londrina. A transferência para o Rio de Janeiro depende de autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela decisão de prisão a pedido da Polícia Federal.