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Empresária presa em Goiás diz em áudios ter experiência em soltar imigrantes ilegais presos nos EUA: 'Sempre tiro'

Empresária presa em Goiás diz em áudios ter experiência em soltar imigrantes ilegais preso A empresária Maria Helena de Sousa Netto Costa, presa em Goiâni...

Empresária presa em Goiás diz em áudios ter experiência em soltar imigrantes ilegais presos nos EUA: 'Sempre tiro'
Empresária presa em Goiás diz em áudios ter experiência em soltar imigrantes ilegais presos nos EUA: 'Sempre tiro' (Foto: Reprodução)

Empresária presa em Goiás diz em áudios ter experiência em soltar imigrantes ilegais preso A empresária Maria Helena de Sousa Netto Costa, presa em Goiânia pela Polícia Federal por suspeita de chefiar um esquema de migração ilegal para os Estados Unidos, disse em áudios ter experiência em soltar imigrantes ilegais presos no país. Ela é suspeita de chefiar um grupo que agiu entre 2018 e 2023, estimou a polícia. “Os meninos foram presos. Eu consigo tirá-los. Tiro, sempre tiro...todos que ficam eu tiro. Eu tiro para depois receber, né? Eu quero saber se você quer que eu tiro...que eu já providencio isso”, disse a suspeita, em um dos áudios aos quais a TV Anhanguera teve acesso com exclusividade. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Maria Helena é sogra do governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB). Segundo a Polícia Federal, ele e a esposa dele não são investigados. Em nota, o governador afirmou que os fatos são investigados desde meados dos anos 2000 e não têm relação com ele, sua esposa ou o Governo de Goiás (leia nota na íntegra abaixo). Em nota, a defesa de Maria Helena considerou a prisão desnecessária e afirmou que aguarda o acesso ao processo para fazer a análise técnica do caso (leia nota na íntegra abaixo). Maria Helena de Sousa Netto Costa, em Goiás Reprodução/Instagram de Fro Petit O áudio se refere à prisão de um homem de Rondônia que contratou os serviços para migração ilegal, chamado Francisco Firmino de Souza Filho. Durante a travessia, a empresária chegou a encaminhar mensagens do próprio coiote para a esposa de Francisco. Nessas mensagens, o coiote avisa que estão enfrentando grande perigo e que não poderiam seguir o percurso porque havia muita polícia na fronteira. Em um dos áudios enviados à esposa de um homem que contratou os serviços, Maria Helena avisa que ele foi presoao tentar fazer a travessia Reprodução/ TV Anhanguera Segundo as investigações da polícia, Francisco pagou US$ 22 mil para entrar ilegalmente nos Estados Unidos, em 2018. Em depoimento à polícia de Colorado Oeste, em Rondônia, a esposa dele, Rosemilda Maria Marquinis, disse que o marido pretendia conseguir um empregos nos Estados Unidos. Em outra conversa, que faz parte do inquérito, Maria Helena dá notícias sobre Francisco à esposa dele. "Rosi, eu...eu acho que eles não atravessaram ontem não, porque ele não falou nada. Eu acho que ele tá esperando mais gente, só pode ser. Porque atravessar só dois... lá só tem os dois. Mas... a gente não pode apertar eles, Rosi...não adianta. Se apertar ele joga eles na imigração, é pior ainda", afirmou. Em seguida, ela garante à Rosemilda que o caminho escolhido pelo grupo chefiado por ela, para atravessar a fronteira, era o mais seguro: “É um caminho que você anda, mas chega. Eu sempre falo 'quando eu ponho o meu dinheiro na frente, o caminho que eu ponho é esse'. Porque esse caminho chega 97% e no outro chega 70%". Em outro áudio, Maria Helena diz à esposa de um homem que contratou os serviços de migração que o caminho era o mais seguro Reprodução/ TV Anhanguera Comprovante de pagamento A TV Anhanguera também teve acesso a um comprovante de pagamento que é uma das provas que ligam Francisco a Maria Helena. Ele se refere a uma transferência bancária feita por ele para a suspeita quando já estava na cidade de Harrison, no estado de Arkansas. O pagamento foi feito no dia 25 de março de 2019. No documento, também aparece o endereço de Maria Helena, no Setor Jaó, em Goiânia. O inquérito, que já foi encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF), aponta que era Maria Helena quem mantinha contato direto com os "coiotes", responsáveis por levar imigrantes ilegalmente através da fronteira do México para os Estados Unidos. Além da contratação, ela também: efetivava a compra de passagens aéreas; viabilizava a contratação de advogados em caso de detenção pelo serviço de imigração. Cinco grupos Segundo as investigações, Maria Helena é suspeita de chefiar um dos cinco grupos criminosos especializados em enviar brasileiros ilegalemnte para os Estados Unidos. Ela entrou na mira da Polícia Federal em 2022, quando o seu nome foi citado por brasileiros abordados por agentes da PF no aperoporto de Congonhas, em São Paulo. Maria Helena e as outras três pessoas presas na capital goiana, cujas identidades não foram divulgadas pela polícia, são suspeitas de três crimes: promoção de migração ilegal, lavagem de dinheiro e organização criminosa. De acordo com a polícia, se forem condenadas, as penas podem chegar a 23 anos de prisão. LEIA TAMBÉM: Operação mira suspeitos de migração ilegal que levaram cerca de 500 pessoas para os Estados Unidos Suspeita presa em Goiás movimentou R$ 45 milhões por meio de grupo de migração ilegal para os EUA, diz PF Suspeita presa em Goiás mantinha contato com coiotes e comprava passagens para imigrantes entrarem ilegalmente nos EUA, diz polícia As quebras de sigilo telefônico e das contas bancárias dos investigados mostraram que de 2018 a 2023 as cinco quadrilhas movimentaram R$ 240 milhões. Desse total, R$ 45 milhões estavam em poder da organização criminosa chefiada por Maria Helena, informou a PF. No Amapá, outros dois chefes que não foram encontrados foram incluídos na lista de procurados da Interpol, relatou a PF. Os presos passaram por audiência de custódia e foram levados para o Complexo Prisional. Para entrar ilegalmente nos Estados Unidos, cada brasileiro desembolsava, em média, US$ 20 mil. Em cinco anos, 477 pessoas foram enviadas para o território norte-americano, mas os investigadores acreditam que esse número pode ser maior. O grupo chefiado por Maria Helena teria sido responsável pela travessia de 155 brasileiros. Como agiam os grupos As investigações foram realizadas, principalmente, no período de 2018 a 2023. A polícia informou que os grupos atuavam de forma estruturada. Eles são suspeitos de organizar toda a logística da viagem, desde a saída do Brasil até a passagem por países como México e Panamá, até a chegada aos Estados Unidos. Segundo a PF, os grupos tinham integrantes em outros estados e também no exterior, que eram responsáveis por: suporte logístico recepção de migrantes intermediação financeira das operações ilícitas Além disso, as investigações também apontaram o uso de empresas de fachada, laranjas e esquemas de lavagem de dinheiro para ocultar e disfarçar a origem ilícita do dinheiro movimentado. Defesa de Maria Helena de Souza Netto Costa " A defesa da Sra. Maria Helena de Souza Netto Costa vem a público esclarecer, com a serenidade que o momento exige, que sua constituinte recebeu com surpresa as medidas cautelares deflagradas em seu desfavor e aguarda o pleno acesso aos autos para análise técnica dos fatos, na forma da Súmula Vinculante nº 14 do STF. Registra-se, desde já, a absoluta desnecessidade da prisão preventiva decretada, medida de natureza excepcional cujos requisitos legais (art. 312 do CPP) não se fazem presentes na hipótese. Nossa constituinte não apresenta qualquer risco à ordem pública, à conveniência da instrução criminal ou à aplicação da lei penal, tampouco jamais se furtou a qualquer ato investigatório. As providências para o imediato restabelecimento de sua liberdade já se encontram em curso. A defesa reafirma confiança no Poder Judiciário e lamenta a divulgação seletiva de informações sigilosas. Colocamo-nos à disposição. Goiânia, 07 de maio de 2026. Luiz Inácio Medeiros Barbosa Jorge Augusto dos Reis Guilherme Alves Machado" Nota do governador Daniel Vilela "O caso envolvendo a senhora Maria Helena de Souza Costa não tem absolutamente nenhuma relação com o governador Daniel Vilela e com sua mulher, Iara Netto Vilela. São fatos investigados desde meados dos anos 2000, segundo divulgou a própria Polícia Federal, e não envolvem em nenhum momento o governador ou o governo de Goiás."