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Investigação aponta falhas em protocolos de empresa responsável por salto de mulher sem corda

Acidente com menino de nove anos poderia ter servido de alerta e evitado a morte em salto de rope jump em Limeira-SP A investigação da Polícia Civil sobre a ...

Investigação aponta falhas em protocolos de empresa responsável por salto de mulher sem corda
Investigação aponta falhas em protocolos de empresa responsável por salto de mulher sem corda (Foto: Reprodução)

Acidente com menino de nove anos poderia ter servido de alerta e evitado a morte em salto de rope jump em Limeira-SP A investigação da Polícia Civil sobre a morte de Maria Eduarda de Freitas, de 21 anos, concluiu que uma série de falhas nos protocolos de segurança contribuiu para que a jovem fosse lançada de uma ponte sem a corda de proteção durante um salto de rope jump em Limeira, no interior de São Paulo. Segundo o inquérito, a equipe responsável pela atividade atuava de forma desorganizada, sem divisão clara de funções e já havia registrado um acidente semelhante três meses antes, sem adotar medidas para evitar novas ocorrências. LEIA TAMBÉM: Criança de 9 anos sofreu acidente com mesma equipe 3 meses antes de queda fatal de jovem sem corda em SP Em trechos de depoimentos (que você vê no vídeo acima), funcionários envolvidos no acidente com Maria Eduarda, relataram problemas que poderiam ter evitado a morte da jovem, em 13 de junho após ser empurrada da chamada Ponte do Esqueleto sem estar conectada ao equipamento de segurança. Imagens gravadas pelo celular da própria vítima mostram que a corda não estava presa ao seu corpo no momento do salto. Investigação da polícia aponta falhas em protocolos e desorganização como motivos para o acidente com mulher que foi arremessada durante salto de rope jump. Reprodução/TV Globo/Fantástico O relatório policial aponta que os responsáveis alternavam funções durante a operação, sem uma organização definida para conferir os equipamentos antes de cada salto. LEIA TAMBÉM: Mulher apontada como chefe de empresa de salto mandou funcionários apagarem imagens de câmera após acidente de jovem, diz testemunha Em depoimento, Maicon Cintra e Luís Felipe Gorof, que aparecem nas imagens lançando a jovem da ponte, disseram que não ouviram alertas sobre a ausência da corda por causa da aglomeração e do barulho no local. Os dois reconheceram que era responsabilidade deles verificar se o equipamento estava corretamente preso, mas afirmaram não saber explicar como a falha aconteceu. Para a polícia, a falta de organização operacional foi determinante para o acidente. Evelyne dos Santos, apontada como chefe da equipe responsável pelo salto e que se denomina, nas redes sociais, CEO da Entrecordas. Reprodução/TV Globo/Fantástico Funcionamento clandestino O inquérito também concluiu que o Entrecordas operava clandestinamente havia cerca de um ano, promovendo saltos em uma estrutura sem autorização e sem isolamento adequado da área. A Polícia Civil afirma que a empresa avia elevado número de saltos em intervalos reduzidos, cenário que aumentava o risco de falhas humanas. Após a morte de Maria Eduarda, a Ponte do Esqueleto teve o acesso interditado com cercas de arame farpado e placas de proibição. Quatro pessoas permanecem presas e foram indiciadas por homicídio com dolo eventual: Evelyne dos Santos, apontada como uma das organizadoras do grupo, além de Vítor de Freitas, Maicon Cintra e Luís Felipe Gorof. Evelyne também foi indiciada por fraude processual. Segundo a investigação, testemunhas afirmaram que ela determinou que funcionários apagassem imagens gravadas por câmeras após o acidente que matou Maria Eduarda e também depois da queda do menino de 9 anos. As defesas dos investigados contestam o indiciamento e sustentam que o caso deve ser tratado como homicídio culposo. Já a Polícia Civil afirma que a sequência de falhas demonstra que os envolvidos assumiram o risco de produzir o resultado fatal. Criança de 9 anos sofreu acidente com mesma equipe 3 meses antes de queda fatal de jovem sem corda em SP Reprodução/TV Globo Acidente com criança serviu de alerta A investigação também concluiu que o grupo já havia enfrentado um grave problema de segurança meses antes. Em março, um menino de 9 anos sofreu um acidente durante outro salto realizado pela mesma equipe na Ponte do Esqueleto. Segundo o inquérito, uma falha no sistema de debreagem — mecanismo responsável por controlar a desaceleração da corda — fez com que a criança atingisse o chão. Luiz Gustavo, que trabalhava no grupo e saltou ao mesmo tempo que o menino, descreveu o momento. "O garoto foi correndo, eu já fui correndo atrás. Ele pulou e eu pulei dando um mortal logo atrás. Eu não ouvi o garotinho, tipo, gritar o 'uhu', que ele sempre gritava, a gente está feliz e tal. Eu comecei a ouvir algumas pessoas gritando o nome dele e, aí, quando eu olhei para o lado, ele estava no chão", afirmou. O pai da criança, que também fazia parte da equipe, contou à polícia que o filho balançou apenas uma vez antes de tocar o solo e ouviu do menino a seguinte frase: "Não, pai, o tio me soltou rápido demais". Segundo uma testemunha ouvida pela investigação, o acidente não resultou em mudanças nos procedimentos adotados pelo grupo, que continuou realizando os saltos normalmente. Morte em Rope Jump: veja depoimento de apontada como organizadora do evento Ocultação de provas e indiciamento Com o encerramento do inquérito nesta semana, a Polícia Civil indiciou quatro pessoas por homicídio com dolo eventual, modalidade em que se assume o risco de matar: Evelyne dos Santos, apontada como chefe da equipe, além de Vitor de Freitas, Maicon Cintra e Luis Felipe Egoroff, que aparecem nas imagens arremessando a jovem da estrutura. Duas pessoas que haviam sido detidas inicialmente tiveram as prisões revogadas e foram soltas. A investigação também apontou um padrão de tentativa de ocultação de provas nos dois casos. Pelo menos três testemunhas disseram ter visto uma pessoa retirar a câmera que estava com Maria Eduarda logo após a queda. O funcionário Luis Gustavo admitiu que recebeu ordens diretas da organizadora para pegar o aparelho. "Ela falou: 'Gustavinho, a gente precisa. Traz a câmera, a gente precisa dessa câmera, a gente precisa apagar o vídeo.' Essas foram as palavras", afirma Gustavo. Uma mensagem de áudio enviada por outra ex-funcionária confirma que Evelyne fez a mesma exigência logo após o acidente com o menino de nove anos em março. Por conta disso, ela também responderá por fraude processual. Questionados sobre a falha, Maicon e Luis Felipe reconheceram em depoimento que a responsabilidade de checar se a corda estava presa ao peito da jovem era deles, mas declararam não saber explicar o motivo de não terem verificado. O relatório policial concluiu que os saltos "eram feitos com significativa desorganização operacional", apontando a "ausência de isolamento adequado da área" e um "elevado número de saltos em reduzido intervalo de tempo, o que potencializa falhas humanas e compromete a segurança". O "Entre Cordas" operava de forma clandestina há mais de um ano, sem registro de empresa formal. A Ponte do Esqueleto pertencia à antiga Rede Ferroviária Federal e está sob custódia da Secretaria do Patrimônio da União. Após a tragédia, o acesso foi bloqueado nos dois extremos com cercas de arame farpado, placas de aviso, valas e montes de terra para impedir a entrada de novos frequentadores. O que dizem as defesas O advogado de Evelyne dos Santos declarou que discorda do indiciamento e que as teses da defesa serão apresentadas no momento oportuno do processo. A defesa de Vitor de Freitas contesta a tipificação do crime como dolo eventual. Os advogados de Maicon Cintra e Luis Felipe Egoroff sustentam a posição de que se trata de um crime culposo, quando não há a intenção ou a assunção do risco de matar. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Fantástico Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO Confira também: