João Campos renuncia à prefeitura do Recife para concorrer ao governo de Pernambuco
João Campos (PSB), o lado da esposa e deputada Tábata Amaral (PSB), durante cerimônia em que renunciou à Prefeitura do Recife para concorrer ao cargo de gov...
João Campos (PSB), o lado da esposa e deputada Tábata Amaral (PSB), durante cerimônia em que renunciou à Prefeitura do Recife para concorrer ao cargo de governador de Pernambuco Iris Costa/g1 O prefeito do Recife, João Campos (PSB), renunciou ao cargo nesta quinta-feira (2), para se candidatar a governador de Pernambuco. Campos já lançou a pré-candidatura, numa chapa com a ex-deputada Marília Arraes (PDT) e o senador Humberto Costa (PT) como candidatos ao Senado, e com o economista Carlos Costa (Republicanos) candidato a vice-governador. A renúncia aconteceu dois dias antes do fim do prazo para desincompatibilização, que consiste no afastamento de um pré-candidato do cargo ou função que ocupa para concorrer a uma vaga na eleição. A cerimônia ocorreu durante a inauguração do Hospital da Criança, no Recife. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE Ainda no hospital, João Campos assinou a carta de renúncia. O documento foi enviado à Câmara dos Vereadores, para que o processo seja oficialmente concluído. O vice-prefeito, Vitor Marques (PCdoB), assume interinamente até a cerimônia de posse, que está marcada para segunda-feira (6). O novo prefeito do Recife tem 31 anos e já foi assessor e chefe de gabinete de João Campos, e desde janeiro de 2025 chefiava a Secretaria de Infraestrutura da cidade. Durante a assinatura do documento, João Campos disse que deu a sua vida e o seu melhor pelo Recife. "Vou assinar neste momento uma carta de renúncia e enviar à Câmara de Vereadores, para poder, a partir de hoje, sonhar junto com o povo de Pernambuco por um tempo melhor para o nosso estado. Faço isso com muita alegria no coração e com o sentimento de que eu dei a minha vida, o meu melhor pelo Recife. Obrigado Recife, obrigado ao povo generoso do Recife, A gente não diz um adeus, diz um até logo. E Pernambuco, vamos juntos andar de ponta a ponta". Veja os vídeos que estão em alta no g1 Histórico da chapa Desde sua candidatura à reeleição como prefeito, João Campos é tido como pré-candidato ao governo de Pernambuco. Na campanha, ele evitou falar sobre as eleições de 2026 e não se comprometeu a terminar o segundo mandato na prefeitura. Quarenta dias antes de renunciar, ele anunciou uma série de inaugurações de obras na cidade, marcando suas últimas ações como prefeito do Recife. Uma delas foi a do Hospital da Criança, nesta quinta (2), que passa a funcionar após dois anos de obras. A previsão inicial era para que fosse entregue no fim de 2024. João Campos oficializou a pré-candidatura no dia 20 de março, data em que apresentou a chapa com a qual concorreria às eleições neste ano. Na ocasião, lembrou do pai, Eduardo Campos (PSB), que há exatos 20 anos lançava a própria candidatura ao governo de Pernambuco. Ele foi eleito duas vezes para o cargo e morreu num acidente aéreo em 2014, durante campanha à Presidência da República. A chapa de João Campos ao governo tinha uma profusão de pré-candidatos ao Senado. Além de Marília Arraes e Humberto Costa, pleiteava uma vaga o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), o deputado federal Eduardo da Fonte (PP) e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil). A indicação do irmão Carlos Costa como candidato a vice-governador foi a contrapartida para que Silvio Costa Filho abrisse mão da candidatura ao Senado. A composição definitiva da chapa foi definida em viagem de João Campos para Brasília, quando ele participou de uma reunião com os presidentes nacionais do PDT e do PT: Carlos Lupi e Edinho Silva, respectivamente. O encontro aconteceu depois que os dois partidos sinalizaram a possibilidade de negociar apoio à governadora Raquel Lyra (PSD), principal adversária de Campos, caso tivessem candidaturas ao Senado "rifadas". O deputado federal Eduardo da Fonte (PP) também foi especulado como um dos candidatos ao Senado, mas as negociações não avançaram. Agora, o partido que ele preside no estado deve apoiar a candidatura à reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD). Outro possível candidato era Miguel Coelho (União Brasil), que em março "mudou de lado" e anunciou pré-candidatura na chapa de Raquel Lyra. Perfil João Henrique de Andrade Lima Campos tem 32 anos e é formado em engenharia civil pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). É filho de Eduardo Campos e neto de Miguel Arraes, ambos ex-governadores do estado, já falecidos. Neste ano, casou-se com a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP). Entrou na política em 2016, como chefe de gabinete do ex-governador Paulo Câmara (sem partido), sucessor de seu pai no governo de Pernambuco. Na época, tinha 22 anos, e se manteve no cargo até 2018, quando deixou o posto para se candidatar a deputado federal e obteve votação recorde de mais de 460 mil votos. Dois anos depois, em 2020, deixou o cargo ao ser eleito prefeito do Recife. Naquela época, aos 27 anos, era o mais jovem prefeito de uma capital brasileira. Na campanha, derrotou sua prima e agora companheira de chapa, Marília Arraes, numa campanha marcada por ofensas das duas partes. Em 2024, foi reeleito prefeito do Recife em primeiro turno, com mais de 725 mil votos, ou 78,11% dos votos válidos. Foi a maior votação para a prefeitura da capital pernambucana desde o retorno do voto direto para o cargo, em 1985. Tomou posse em janeiro de 2025 e ficou 1 ano e 3 meses neste segundo mandato. Esta reportagem está em atualização. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias