Pintor transforma fachadas de casas de famílias carentes sem cobrar nada em Uberlândia: 'não é só tinta, é resgate de dignidade'
Pintor transforma fachadas de famílias carentes sem cobrar nada em Uberlândia Aos 40 anos, o pintor profissional Diego Ribeiro Cunha trabalha com pintura há ...
Pintor transforma fachadas de famílias carentes sem cobrar nada em Uberlândia Aos 40 anos, o pintor profissional Diego Ribeiro Cunha trabalha com pintura há mais de duas décadas. Ele aprendeu o ofício aos 17 anos, com o sogro, quando precisava garantir o sustento da casa e pagar o aluguel no fim do mês. Depois de mais de 20 anos usando a pintura como fonte de renda, Diego decidiu transformar o ofício em uma forma de ajudar outras pessoas. Ele criou o projeto "Pintura Solidária", uma iniciativa independente que revitaliza gratuitamente as fachadas de casas de famílias em situação de vulnerabilidade social em Uberlândia e cidades vizinhas. "A gente vai para abençoar, mas a verdade é que voltamos muito mais abençoados pela energia boa que eles nos transmitem. O que para nós é um trabalho simples e corriqueiro do dia a dia, para quem recebe representa o resgate da autoestima, uma mudança de vida e um motivo a mais para não desistir. Não é só tinta, é um resgate da dignidade", Diego. ✅ Clique aqui e siga o perfil do g1 Triângulo no WhatsApp A semente da solidariedade e os primeiros traços Da esquerda para a direita, Vinicius, Diego e Warley Reprodução/Redes Sociais A ideia do projeto surgiu no fim de 2024, enquanto Diego navegava pelas redes sociais após um dia de trabalho. Ele viu vídeos de ações comunitárias em diferentes lugares do mundo, com voluntários limpando quintais e reformando casas. Foi então que pensou em usar a própria profissão para ajudar outras pessoas. A decisão de colocar a ideia em prática foi imediata. O primeiro passo foi dado ao lado da mulher, Jéssica Ernandina Silva, com quem Diego vive desde 2000. Em seguida, os amigos Warley Montalvão e Vinícius Dias aderiram ao projeto e ajudaram nos primeiros mutirões. Para realizar as intervenções sem custos para os moradores, o projeto conseguiu o apoio de empresas da cidade que fornecem tintas, fitas adesivas e produtos químicos. Os patrocinadores também ajudam com despesas de combustível, alimentação e pequenos reparos estruturais. Com o passar dos meses, os amigos deixaram o projeto por causa de compromissos pessoais. Foi quando Diego ganhou um novo parceiro dentro de casa: o filho mais velho, Davi Ribeiro Silva, de 15 anos. Aos fins de semana, o adolescente passou a acompanhar o pai e a aprender, na prática, técnicas de pintura e a importância da empatia. Apesar da proposta, o projeto também enfrentou dificuldades. No início, o principal desafio era convencer as famílias a aceitar a doação. "No começo a gente teve muita rejeição. As pessoas achavam que era algum tipo de golpe, que a gente iria fazer o serviço para cobrar depois ou que se tratava de alguma propaganda política disfarçada. Hoje, por conta da transparência nas redes sociais, o pessoal já nos reconhece e a confiança mudou completamente", disse o pintor. Mesmo sendo uma iniciativa voluntária, alguns moradores recusam ter seus muros revitalizados Reprodução/Redes Sociais LEIA TAMBÉM: Quem é a influenciadora com sotaque mineiro que tem mais de 100 milhões de visualizações em receitas do 'tempo da vovó' Veja sabores inusitados de pizzas com pequi, pudim e picanha Conheça a confeiteira que conquistou artistas com receitas caseiras Muros que guardam e renovam histórias Pintor transforma fachadas de famílias carentes sem cobrar nada em Uberlândia Com ações quinzenais em bairros de Uberlândia com maior vulnerabilidade social, como São Jorge, Jardim Canaã e Morumbi, o projeto já transformou 48 muros desde 2024. Uma das histórias mais marcantes aconteceu recentemente, quando uma mãe entrou em contato com o projeto para pedir ajuda para a filha, de 22 anos. A jovem havia perdido familiares, enfrentava depressão e descoberto recentemente que estava grávida, em meio a dificuldades financeiras. Sem dinheiro para reformar a casa, a jovem dizia, com tristeza, que morava na "casa mais feia da rua". "Essa história bateu forte demais no meu coração. Me fez lembrar diretamente do meu próprio começo, da minha juventude aos 18 anos, quando tudo era muito difícil e a gente trabalhava na marra para conseguir pagar as contas e ter o que comer. Poder chegar no momento certo e devolver o orgulho e o sorriso para alguém que já sofreu tanto não tem preço", relembrou Diego, emocionado. Em outro episódio, a equipe recebeu três recusas consecutivas de moradores da mesma rua, que temiam cobranças posteriores. Na quarta casa, os voluntários bateram à porta de uma senhora. Assim que se apresentaram, a moradora caiu em prantos e contou que havia sonhado, naquela mesma semana, que a fachada de sua casa seria pintada. O bem que se multiplica Fachada de casa transformada Reprodução/Redes Sociais No mercado tradicional, a pintura completa de uma fachada, incluindo mão de obra e materiais, custa entre R$ 2 mil e R$ 2,5 mil. O trabalho também ganhou repercussão nas redes sociais. As transformações feitas pelo projeto ajudaram o perfil a ultrapassar 149 mil seguidores no Instagram e deram projeção à iniciativa no TikTok. A repercussão também impulsionou a carreira de Diego. Desde o início das ações sociais, a procura pelos serviços particulares dobrou. “Meus clientes aumentaram em mais de 100%”, contou. Mais do que renovar paredes, o "Pintura Solidária" também tem inspirado moradores das regiões atendidas. Vizinhos passaram a se mobilizar para organizar mutirões de pintura e conservação das próprias casas, depois de verem as fachadas revitalizadas pelo projeto. "A gente vê a alegria das pessoas, o agradecimento sincero delas, a tentativa de agradar a gente até com um copo d'água. É uma troca de energia que não existe dinheiro no mundo que pague. É uma satisfação que preenche a alma de um jeito muito gratificante", finalizou Diego. VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas