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Tinta sustentável: o que muda da fábrica até a parede

Quando o assunto é reforma ou construção, a cor da parede costuma vir antes da pergunta que realmente importa para o planeta: o que há por trás daquela lat...

Tinta sustentável: o que muda da fábrica até a parede
Tinta sustentável: o que muda da fábrica até a parede (Foto: Reprodução)

Quando o assunto é reforma ou construção, a cor da parede costuma vir antes da pergunta que realmente importa para o planeta: o que há por trás daquela lata? Uma tinta sustentável não nasce pronta na prateleira: ela é resultado de decisões tomadas muito antes da embalagem chegar à loja, começando na escolha da matéria-prima e seguindo até o destino final do que sobra depois da pintura. Entender essa cadeia produtiva é o primeiro passo para escolher com mais consciência. "Sustentabilidade não é uma etapa isolada da produção, é um compromisso que atravessa toda a cadeia, da escolha do fornecedor ao que acontece com a lata depois que a tinta já está na parede", resume Eduardo Bathke, diretor-geral da Tintas Verginia. "A gente só entrega um produto verdadeiramente responsável quando cada elo dessa corrente foi pensado com esse propósito." A afirmação do executivo dialoga com um debate que vem ganhando espaço na construção civil e na decoração: o de que "verde" não pode ser só um adjetivo na embalagem. Para ser sustentável de verdade, uma tinta precisa provar isso em números, de consumo de água a emissão de gases, passando pela forma como lida com o que sobra do processo. Da matéria-prima ao produto final: onde começa a sustentabilidade Não existe um único fator que determine se uma tinta é mais ou menos amigável ao meio ambiente. Segundo Nicholas Rosa, gerente de RH da Tintas Verginia e um dos responsáveis por acompanhar as iniciativas ESG (governança, sustentabilidade e trabalho social) da companhia, o impacto ambiental de uma tinta é definido por um conjunto de escolhas tomadas ao longo de toda a cadeia produtiva, e não por um único ingrediente ou processo isolado. Entre os pontos que mais pesam nessa conta, ele destaca: A origem das matérias-primas: fornecedores precisam atender critérios de qualidade, conformidade legal e responsabilidade socioambiental antes de entrar na linha de produção; A eficiência do processo fabril: quanto menos desperdício e retrabalho, menor o impacto por litro produzido; O consumo consciente de recursos naturais, como água e energia; A gestão dos resíduos gerados durante a fabricação; A durabilidade do produto final: uma tinta que resiste mais tempo na parede significa menos repintura, menos consumo e menos descarte ao longo dos anos. "Para nós, sustentabilidade está presente em toda a cadeia, desde a seleção dos insumos até o destino final dos materiais", explica Nicholas. A empresa também mantém iniciativas de logística reversa, pensadas para dar um descarte correto às embalagens e aos resíduos que sobram depois que o consumidor já usou o produto. Por que a cadeia de fornecedores pesa tanto nessa conta Grande parte do impacto ambiental de um produto industrial não é decidida dentro da própria fábrica, mas antes dela: na escolha de quem fornece a matéria-prima. É por isso que auditar fornecedores por critérios de qualidade, conformidade legal e responsabilidade socioambiental, como descreve Nicholas Rosa, é considerado um dos elos mais estratégicos de qualquer cadeia produtiva industrial. Uma empresa pode ter processos internos bem estruturados e, ainda assim, carregar um passivo ambiental significativo se não tiver visibilidade sobre a origem dos insumos que compra. E é justamente esse tipo de rastreabilidade que vem sendo cada vez mais cobrado pelo mercado e por consumidores mais atentos ao que está por trás do produto que levam para casa. Energia solar e uso de água: o que muda na prática da fábrica De acordo com o Relatório de Sustentabilidade da Tintas Verginia, a fatia da energia consumida pela fábrica que vem de fonte de energia solar renovável saltou de 48% em 2024 para 76% em 2025. O investimento em energia renovável é um dos fatores que elevaram a participação da energia solar na matriz energética da produção da Tintas Verginia. Acervo Tintas Verginia. Essa mudança de matriz energética tem efeito direto sobre outro indicador acompanhado pela empresa: a emissão de gases de efeito estufa. As emissões de escopo 2, aquelas associadas à energia elétrica comprada da rede, recuaram de 19,34 para 7,54 toneladas métricas de CO₂ equivalente entre 2024 e 2025, um reflexo praticamente direto da migração para energia própria e limpa. Já as emissões de escopo 1 (diretas, ligadas à operação) subiram de 335,8 para 379,3 toneladas no período, um dado que a própria companhia associa ao crescimento da operação e que orienta parte dos investimentos futuros, incluindo o desenvolvimento de uma nova planta industrial projetada para ter menor intensidade de carbono. No caso da água, o indicador mais relevante não é o volume total consumido (que cresceu de 6.622 mil litros para 7.036 mil litros entre 2024 e 2025, acompanhando o aumento da produção), mas a eficiência por unidade produzida: a empresa manteve o consumo específico em 0,6 litro de água por litro de tinta vendido nos dois anos, sinal de que o crescimento da operação não veio acompanhado de perda de eficiência hídrica. "As melhorias feitas na fábrica refletem diretamente na forma como a tinta é produzida", afirma Nicholas Rosa. "Ao investir em fontes de energia renovável, reduzir o consumo de energia e tornar os processos mais eficientes, conseguimos diminuir o impacto ambiental associado à fabricação, sem comprometer a qualidade e o desempenho do produto." Na prática, segundo ele, isso significa que quem compra a tinta está adquirindo um produto fabricado por uma empresa que vem reduzindo, ano após ano, seu uso de recursos naturais por unidade produzida. Divulgação. Como o consumidor identifica uma tinta mais responsável na prateleira Diante de tanta informação técnica, uma pergunta prática se impõe: como alguém, na hora da compra, consegue diferenciar uma tinta sustentável de outra que apenas usa a palavra na embalagem? Segundo a Tintas Verginia, os sinais estão, em geral, à vista, mas exigem um pouco de atenção: Selos e certificações visíveis na embalagem. Compromissos como Empresa B, Carbon Free, Carbono Neutro e Eu Reciclo aparecem estampados justamente para indicar que existe uma auditoria ou processo de verificação por trás da promessa ambiental, e não apenas uma alegação de marketing. Transparência sobre práticas ambientais nos canais de comunicação da empresa, como relatórios de sustentabilidade públicos e informações detalhadas sobre a cadeia produtiva. Instruções de descarte na própria embalagem, incluindo indicação de pontos de coleta ou programas de logística reversa. A presença desse tipo de orientação já é um indício de que o fabricante pensa no ciclo completo do produto, não só na venda. "O consumidor pode identificar uma tinta mais responsável observando os selos, as informações presentes na embalagem e a transparência da empresa sobre suas práticas ambientais", resume Nicholas. "Certificações e iniciativas reconhecidas demonstram que existem compromissos concretos por trás do produto, e não apenas um discurso de sustentabilidade." Esse tipo de transparência é uma tendência que vem se consolidando em todo o mercado de material de construção, à medida que o consumidor passa a valorizar mais informação concreta, e menos promessa genérica, na hora da compra. O que acontece depois que a lata está vazia A sustentabilidade de uma tinta não termina quando a parede fica pronta. O descarte correto da embalagem, das sobras e das ferramentas usadas na aplicação é parte do mesmo cálculo ambiental. Descartar sobras de tinta, latas e ferramentas contaminadas no lixo comum não é um gesto neutro. Esses materiais podem dificultar a reciclagem de outros resíduos misturados a eles e, dependendo das condições de descarte, contribuir para a contaminação do solo e de fontes de água. Por isso, a orientação de fabricantes do setor é sempre a mesma: seguir as instruções de descarte da embalagem e recorrer a programas de coleta específicos sempre que possível. É esse o papel do Programa Coleta Colorida, mantido pela Tintas Verginia desde 2019. A lógica do programa é simples e, ao mesmo tempo, um bom exemplo de eficiência operacional aplicada à causa ambiental: os caminhões que já circulam para abastecer as lojas da marca voltam carregando embalagens e sobras de tinta pós-consumo, evitando a necessidade de uma logística paralela só para isso. Na prática, o consumidor entrega o material em um dos pontos de coleta e a empresa se encarrega de encaminhá-lo a parceiros especializados para destinação ambientalmente adequada. Os números recentes do programa mostram a escala do que já foi evitado de ir parar no lugar errado: Em 2024, o programa coletou 26,5 toneladas de materiais; Em 2025, foram 19,98 toneladas destinadas corretamente; No mesmo período, o volume total de materiais reciclados pela operação da empresa cresceu de 85,7 para 98,4 toneladas. Além de incentivar o descarte consciente e a reciclagem, a Tintas Verginia disponibiliza pontos de coleta e realiza o processo para reutilização dos materiais e descarte correto. Divulgação. Para quem só tem um resto de tinta em casa Nem toda situação envolve uma reforma grande ou volume expressivo de resíduo. Para quem tem apenas uma sobra de tinta guardada em casa, sem obra em andamento, o caminho recomendado segue uma ordem de prioridade: Reaproveitar, se ainda estiver em condições de uso: armazenando a lata bem fechada, em local seco, protegido do sol e fora do alcance de crianças; Doar, caso não haja mais utilidade para quem comprou: para familiares, vizinhos, escolas ou projetos sociais que possam usar o material; Descartar em um ponto de coleta apropriado, como os do Programa Coleta Colorida, apenas quando as duas alternativas anteriores não forem possíveis. Essa hierarquia (reaproveitar, doar e só então descartar) é a mesma lógica que orienta boa parte das políticas de economia circular hoje discutidas no setor de construção civil: o resíduo evitado vale mais do que o resíduo bem descartado. Durabilidade também é uma variável ambiental Um ponto que costuma passar despercebido no debate sobre sustentabilidade de tintas é o papel da durabilidade do produto. Uma tinta que perde a cor, descasca ou desbota rapidamente obriga o consumidor a repintar em um intervalo menor, o que significa comprar mais material, gerar mais embalagem descartada e, no fim das contas, multiplicar todo o impacto ambiental já descrito neste texto: mais água, mais energia e mais resíduo por metro quadrado pintado ao longo dos anos. Especialistas do setor de construção civil costumam tratar o desempenho técnico do produto, resistência a intempéries, lavabilidade, poder de cobertura, como parte do cálculo de sustentabilidade, e não como um atributo isolado de qualidade. Uma cadeia, não uma etapa Voltando ao ponto de partida: entender o que torna uma tinta mais sustentável exige olhar para o processo inteiro, não para um único selo ou um único ingrediente. Matéria-prima responsável, eficiência industrial, energia limpa, uso racional da água, seleção criteriosa de fornecedores e um destino adequado para o que sobra depois da pintura formam, juntos, a equação que separa o discurso ambiental da prática "A cor tem o poder de transformar um ambiente, mas a forma como ela é produzida também transforma, para melhor ou para pior, o ambiente lá fora", completa Eduardo Bathke. "Nosso compromisso é seguir reduzindo essa distância entre o que fabricamos e o impacto que deixamos." Na prática, isso significa que a próxima vez que alguém escolher uma cor para a parede de casa, vale a pena olhar um pouco além do catálogo. Verificar se a embalagem traz selos reconhecidos, se a marca disponibiliza relatório de sustentabilidade público, se existe orientação clara de descarte e se há programa de logística reversa disponível na região são perguntas simples que ajudam a separar iniciativas consistentes de discurso pontual. Nenhum desses sinais, isoladamente, garante que uma tinta é perfeita do ponto de vista ambiental, mas, somados, formam um retrato bem mais confiável do que a promessa genérica de "produto sustentável" impressa na lata. Para quem quer conhecer em detalhes as iniciativas ambientais da Tintas Verginia, incluindo o Programa Coleta Colorida e os pontos de coleta disponíveis, vale visitar o site oficial, www.tintasverginia.com.br, e conferir as orientações completas antes da próxima pintura.